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Excesso de punitivismo e suas consequências para as crianças

14/09/2026

Saúde Mental Infantil

Excesso de punitivismo e suas consequências para as crianças
Historicamente achamos que punição é o melhor jeito de educar. No artigo de hoje, iremos debater quais as consequências para a criança. Psicóloga Gabriela

Excesso de punitivismo e suas consequências para as crianças

O termo punitivismo vem do uso constante de punições sejam físicas, verbais ou emocionais visando controlar o comportamento. Isso inclui gritos, castigos, ameaças e até o silêncio prolongado como forma de “ensinar uma lição”.

A punição, pela ótica comportamental, é toda consequência que reduz a probabilidade de um comportamento ocorrer novamente. Parece uma prática fácil e eficaz: a criança desobedece, é castigada, e o comportamento diminui. No entanto, esse controle se sustenta apenas enquanto a ameaça está presente. Sendo assim quando a fonte punitiva se afasta, o comportamento tende a retornar, muitas vezes com mais intensidade ou de outra forma.

O uso da punição de forma contínua, gera um ambiente de tensão e insegurança, onde a criança não se sente à vontade para explorar, errar ou se expressar. Com isso o medo passa a guiar as ações e não a compreensão.  E também um ambiente punitivo rompe o vínculo afetivo entre a criança e o adulto cuidador, e também compromete o diálogo.

Quando crianças são submetidas constantemente a repreensões, podem desenvolver baixa autoestima, sentimento de inadequação e dificuldade de confiar em si mesmas, além de afetar o funcionamento cognitivo. Quando o medo e o estresse são vivenciados constantemente ativam o sistema límbico e dificultam o acesso ao córtex pré-frontal, região responsável pelas funções executivas como atenção, planejamento e controle inibitório, ocasionando uma aprendizagem menos eficaz. E socialmente a criança que cresce em um contexto de punições pode reproduzir comportamentos agressivos ou passivos em relações futuras.

Existem estratégias de ensino que vão na contra mão da punição, a disciplina com afeto. Essas atitudes fortalecem a autoestima, a empatia e a autorregulação. Sendo elas:

- Reforçar comportamentos adequados, como: “percebi que você guardou os brinquedos, que bom!”;
- Ensinar o que pode ser feito, em vez de só dizer o que não pode;
- Validar os sentimentos da criança, por meio de: “entendo que você ficou bravo, mas não podemos bater”;
- Utilizar o dialogo e o exemplo como ferramentas de aprendizado;


Crescer em um ambiente onde é possível errar, aprender e ser acolhido é o que realmente constrói uma base sólida para a vida. Se encontrar dificuldade em aplicar essas estratégias, procure um profissional especializado para em sessões de orientação parental, identificar os desafios e como executá-las.
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